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"Coração de estudante"

O cenário em que o menino Tarcísio vivia, com onze anos de idade, era bem diferente do lugar de onde veio: o Biguá.
Morando com os avós em Itajubá, lutava contra o medo e a timidez que existiam dentro dele. Teria que conquistar aquela selva de pedra aos poucos. Assim começou a levar uma vida contrária a todas as aspirações de seu coração.

O tempo passava e o jovenzinho não gasta tempo pensando no que perdeu, aprende as primeiras lições amargas da vida: fumar, beber, as decepções com as namoradinhas...
No curso primário, não teve dificuldade em adaptar-se, pois era muito arteiro, na sala de aula. A sua sensibilidade aguçada e o seu coração grato aos ensinamentos da professora, muitas vezes pedia que seu pai Quinzinho lhe trouxesse as melhores goiabas do pomar do Biguá, e feliz oferecia a ela.

Não há condições de educar um jovem dentro de uma redoma de vidro, ele vai se confrontar com as correntes de idéias do mundo. Com Tarcísio não foi diferente.
A sua entrada no Colégio Major João Pereira de Itajubá chamou a atenção de todos. Destacava-se dos demais alunos pela sua inteligência, esperteza, brincalhão, contador de piadas. No recreio tirava o “Bamba” dos pés e ameaçava jogá-lo nas meninas.
Um jovem alegre, mas insatisfeito, questionava o mundo, criticava a situação social e econômica, vivia desafiando a todos impondo seus direitos, manifestava sua opinião, muitas vezes diferente da dos outros. Era rebelde, protestava contra tudo e todos.

A mudança radical na vida do jovem Tarcísio foi uma experiência difícil, pois não sentia muita disposição em aceitar o novo, exigia dele muitas renúncias. Ele tinha consciência de seu chamado para servir a Deus, mas teria que abrir mão de alguns sonhos e projetos.

 “Já podaram seus momentos, Desviaram seu destino, Seu sorriso de menino Quantas vezes se escondeu, Mas renova-se a esperança, Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto, Pra que a vida nos dê, Flor, flor e fruto”.

Tinha que percorrer um itinerário árduo até concretizar o desejo de seu coração: assumir a sua vocação.
Sua entrada para o Seminário Dehoniano, em Lavras-MG, aconteceu em 1982. Aquele jovem cabeludo era diferente dos demais, com suas idéias revolucionárias, fumava, tinha orgulho em dizer que teve muitas namoradas e foi quase noivo.
Algo chamava a atenção dos seminaristas: a sua Bíblia, toda rabiscada, com anotações importantes, apresentando a sua fé cristã, de maneira original e atraente.

No Noviciado Nossa Senhora de Fátima, em Jaraguá do Sul/SC, no ano de 1983, um ano após, fez os seus votos religiosos. O mais novo integrante do noviciado (tempo de iniciação na vida da Congregação), alguns o chamavam de Léo (o seu pseudônimo), outros de Tarcísio (seu nome de batismo)
Mais tarde, grande pregador, cursando teologia em Taubaté, em 1988, animava muitos Retiros, Encontros, Congressos e Cenáculos em todos os lugares do Brasil, e como diácono, ficou conhecido como “frei” Léo ou “fráter” Léo.

Nessa época, segundo padre Zezinho, o seu professor de comunicação, Léo era “estudioso, ávido leitor, inteligência acima da média, excelente orador, e acima de tudo, autêntico”. Dava-lhe nota dez quando a aula lhe agradava e nota sete, quando achava que ele poderia ter ensinado mais.

“Coração de estudante Há que se cuidar da vida, Há que se cuidar do mundo Tomar conta da amizade, Alegria e muito sonho, Espalhados no caminho, Verdes, planta e sentimento, Folhas, coração, Juventude e fé”. 

Na escola da vida, aprenda a construir sua felicidade, busque os valores cristãos para o seu crescimento, vivendo de acordo com os ensinamentos do Mestre Jesus, e será feliz quando atingir a plenitude da vida.  

(trechos da música: “Coração de estudante”- Milton Nascimento)
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