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Tia Laura e Padre Léo (Padre Zezinho, scj)


Tia Laura e Padre Léo

Padre Zezinho, SCJ - 11 de janeiro de 2007

Os católicos que vivem o enfoque da Renovação Carismática, ou os conheceram ou deles ouviram falar. Por uma razão muito especial lembro a vida e a morte de ambos. Tia Laura me queria um bem imenso e eu a ela. Pe. Léo foi meu aluno, tivemos imensas concordâncias e algumas discordâncias que, o leitor pode ter certeza, permaneceram na sua devida dimensão. Não viraram discórdia. 

As últimas conversas que tivemos foram cheias de espiritualidade. Ele estava pronto para ir para Deus. Escolheu a minha canção “Alô, meu Deus”, que ele ouvira ainda menino, como sua canção de despedida. É a canção do fiel que como pássaro volta ao ninho depois de ter andado e voado por mil rotas e caminhos.

Tia Laura e Padre Léo tinham dons diferentes e algo em comum. Ela, o dom da cura, e ele, o dom da profecia que lhe vinha em forma de agradáveis e fortes sermões, de homilias de exortação. De Tia Laura ouvi palavras de sabedoria, quando me deu a notícia de que estava com câncer. Alguém lhe perguntou como era possível que ela tivesse curado tanta gente e não podia curar a si mesma. Tia Laura respondeu: 

- O dom da cura não foi dado a mim para usar em mim e, sim, a mim para usar em favor do povo. É dom para uma pessoa, mas não é um dom pessoal. Orem por mim, porque eu tenho o dom de curar os outros, mas não tenho o dom de me curar.

De Padre Léo ouvi três vezes, durante a sua enfermidade, que esperava um milagre, mas não tinha condições de exigir nada de Deus. Queria sim, viver pelos outros e, se fosse curado, seria um novo Padre Léo. Contudo, mas se fosse chamado a morrer, seria, do mesmo jeito, um novo Léo lá em Deus. Continuaria pregando do jeito que Deus lhe permitisse. E foi o que fez nos meses da sua enfermidade e na sua morte. Sabia dos seus limites e sabia do bem que podia fazer. Eram palavras de um padre humilde e penitente.

Um jovem por e-mail me fez as perguntas:

Por que ele? Por que desse jeito?

Respondi mostrando Jesus que tirou a cruz de muitos, mas Ele mesmo morreu numa cruz. Livrou o jovem de Naim e uma menina do túmulo, tirou a cegueira e a surdez de tantos, arrancou a tantos do leito, mas Ele mesmo pregado, crucificado e sepultado. Fez muita coisa pelos outros que não fez por si. Pediu ao Pai que, se possível, o livrasse daquela hora, mas aceitou o que viesse. 

O exemplo vivido por Tia Laura e Padre Léo veio de Jesus que não desceu da cruz, não fugiu da morte, nem do túmulo, embora tivesse poder. É que Ele não viera para si, mas para os outros. Não viera para ser servido, mas para servir (Mt 20,28). E disse que não existe maior amor do que dar a vida pelos outros (João 15,3 ). Não lhe tiraram a vida, Ele a entregou sabendo que sua morte seria redenção de muitos. Ninguém tira a minha vida; eu a dou livremente. Tenho poder de dar a vida e tenho poder de retomá-la (João 10-18). Esperaram pelo milagre e até o pediram, mas sabiam que Deus é quem decide. Oraram pelos outros e anunciaram Jesus do jeito que sabiam, agora deixariam a decisão com Deus. O que Deus quisesse estaria bom para eles.

Que fique claro na nossa ascese de católicos que o que temos é para os outros. Somos chamados a ser administradores honestos da riqueza de Deus para os outros. Distribuímos a quem precisa e, na partilha, ficamos por último. Se um pouco daquela riqueza chamada milagre puder ser dada a nós, ficamos felizes. Se não a recebermos, entendemos. Padre Léo foi para o céu um pouco antes de nós, sem ter recebido a cura que pediu e nós pedimos para ele. Mas foi sereno e consciente. Se por acaso não tivessem entendido antes da enfermidade, Tia Laura e Padre Léo, na enfermidade, entenderam que até a sua dor era um fruto cheio de sementes. Morreram acreditando que tudo concorre para o bem.

Estão do lado de lá esperando por nós que continuamos do lado de cá e fazendo perguntas. Os dois já sabem as respostas. Afinal, antes do ultimo suspiro não se pode saber tudo. São Paulo diz que, às vezes, morrer é lucro. E é, quando quem morre sabe para onde e para quem irá!



*Artigo publicado originalmente no site do Padre Zezinho

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O pregador padre Léo - Padre Zezinho, scj

Padre Zezinho e padre Léo


O pregador padre Léo

Padre Zezinho, scj - Setembro de 2009


Na última conversa que tivemos pedi a ele que vivesse, porque eu sentiria falta das nossas brigas. Éramos amigos de um dizer ao outro o que tinha que dizer. Foi meu aluno e eu permitia avaliação da minha comunicação nos minutos finais de 90 minutos de aulas. No futuro seriam avaliados a cada sermão. Um dia, ele me deu nota 6. Achou que vim despreparado. No dia em que ele improvisou uma resposta que não tinha (porque não lera a matéria), dei-lhe a mesma nota. Mas foi coisa de professor e aluno. Ele e eu sabíamos que minha tarefa era ajudá-lo a situar o seu talento. E fráter Léo Tarcísio Pereira, mais tarde padre Léo scj, era um pregador-ator. Ele sabia dar vida a tudo o que narrava. Era desses iguais a quem não se verá em décadas.

 Não há pregadores perfeitos. Padre Léo sabia que não era. Eu sabia e sei que não sou. Por isso, embora me admirasse muito, às vezes ele me criticava. Às vezes eu, que tenho o costume de gravar as pregações religiosas para meus estudos e para as aulas de "Prática e Crítica de Comunicação das Igrejas", mostrava a ele trechos de suas pregações que considerava inadequadas ou em falta. Ele esperneava, mas acabava agradecendo. Padre Léo nunca esqueceu que tive algo a ver com sua trajetória. Apostei no seu talento de pregador-ator. Era assim desde Itajubá. E seu talento era tal que, às vezes, fazia voos perigosamente rasantes. Os vocábulos poderiam ser um pouco mais nobres... dizia eu. De fala em fala, de correção fraterna em correção fraterna, acabávamos no entendendo. Éramos dehonianos e supostamente padre de pregação cordial. Aquela cruz e aquele "scj" que levamos nos dava esse direito.




Depois de ouvir sua palestra para família, felizmente registrada com o título "Restaurar a vida familiar", entendi que deveria mostrá-la em aula aos futuros pregadores. Ali o padre Léo mostra todo o seu talento quase completo (se é que isso existe) de padre-pregador-contador de histórias-comediante-homem-sério-e-contundente, imitador e orador com um tema forte e um objetivo. É um exemplo das muitas pregações do padre Léo, que considero um dos melhores pregadores que já vi atuar na mídia nos últimos 30 anos. Nós, dehonianos, somos gratos ao monsenhor Jonas Abib e à Canção Nova que deram a ele o púlpito que Padre Leão não teria entre nós. Onde estamos e atuamos, ele não repercutiria como repercutiu no Brasil e no mundo. Digamos que nós o preparamos e monsenhor Jonas lhe deu os instrumentos. Ma ele já vinha dos inícios da RCC, da qual era admirador entusiasta, mas que nunca deixou de analisar com isenção. Amava-a e lutava por ela como fez pela congregação, mas tinha o hábito de falar o que pensava. Era uma de suas muitas qualidades.


Mas o pregador-ator, com uma simples e pequena história levava o povo a rir e a chorar e em cinco minutos conseguia trazer à luz alguma passagem bíblica marcante. Sobre ela desenvolvia sua catequese que parecia zigue-zague, mas na verdade era sólida, linear e transversal. Ele brincava e arrancava risos, mas ia ao ponto. Brinquei algumas vezes dizendo-lhe que ele nunca seria um Padre Antônio Vieira porque seu português não era nada rebuscado e escorreito, embora dele fosse capaz se o quisesse. Mas fiz ver que ele se tornara um pregador atualíssimo que sabia por que estava na mídia e compreendia o que significa enfrentar duas ou três câmeras sobre o seu púlpito. Padre Léo entendeu como ninguém a importância do púlpito eletrônico. Optou conscientemente pela fala de mineiro para chegar ao povo e chegou. Escolheu aquela linguagem. E a exerceu muito bem, com algum eventual exagero que ele mesmo reconhecia.


Esses dias vi meu vídeo, gravado na TV Século XXI, perto do padre Eduardo Daugherty: "A cura da minha família". Logo a seguir, liguei a do padre Léo: "Restaurar a vida familiar". Mesmo estilo, conteúdo semelhante, mesmas idéias, jeito peculiar de cada um. Mas percebi seus recursos. Eu tenho a canção, e ele tinha seu jeito de contador de "causos", estilo compadre mineiro. Vindos da mesma região, há coincidências de conteúdo e de estilo entre professor e aluno, mas tínhamos, em comum, a marca "dehonianos". Assim como consigo ver o estilo franciscano, jesuíta , dominicano, redentorista, percebo que há, sim, um jeito que, entre nós, passa de um para o outro. Nunca haverá um outro Padre Vitor, mas haverá outros redentoristas com a mesma força de chegar ao povo. É marca da congregação. Por idade, eu, ele, padre Joãozinho, padre Fábio (que estudou 16 anos entre nós), padre Marcial e pelo menos vinte outros colegas bebemos do mesmo poço. Mas entre nós todos, padre Léo foi quem mais assimilou a linguagem midiática. Dominava o palco e o púlpito, mas não era ele quem brilhava. Conseguia fazer o púlpito e a Bíblia brilhar. Tornava-a interessante. Seus ouvintes sentiam a curiosidade de ler o que ele contava de maneira tão viça e atual. Era uma das coisas que eu mais elogiava nele.


Não há pregadores perfeitos, mas se alguém quiser saber como se postar diante de câmeras e microfones, e como criar o clima para chegar ao cerne da pregação, recomendo o saudoso padre Léo. Sua última fala terminou com a canção da minha autoria "Alô, meu Deus". Ele gostava dela. A letra fala da volta ao ninho da fé. No caso dele, o ninho era o Céu.

Achei que deveria prestar-lhe este tributo. Dizem que minhas canções ainda serão atuais muitos anos depois que morrer. Bondade dos amigos, porque nem todos pensam o mesmo. Mas digo isso de seus sermões e palestras. Continuam marcadamente atuais. Graças ao milagre da mídia, padre Léo não passará tão cedo. Ele não se repetia. Mesmice não era com ele. Eu diria que sei por quê. Do seu jeito de padre mineiro engraçado, mas sério, padre Léo descobriu a linguagem da grande maioria dos brasileiros. Entre uma e outra lembrança, ainda me surpreendo a rir com ele.

Padre Zezinho, scj 

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De Léo e de luz - Padre Zezinho, scj

Já em atendimento a sugestões que estamos recebendo sobre o que nossos leitores querem ver no blog em 2010, vamos seguir o que nos sugeriu a leitora Andréia Pedroso, que pediu que fossem publicados curiosidades e depoimentos das pessoas que eram mais próximas ao padre Léo. 

Iniciaremos com um artigo do padre Zezinho, que foi professor do padre Léo no seminário e pertence a mesma congregação dele, a do Sagrado Coração de Jesus (SCJ). O artigo intitulado De Léo e de luz foi escrito em 06 janeiro de 2007, dois dias após o falecimento de padre Léo.


De Léo e de luz

Estou aqui meio triste, mas conformado com a morte do Pe. Léo, scj. Triste, porque ele certamente vai fazer falta na Igreja. E que falta! Conformado, porque creio no Céu e porque ele disse que estava preparado para ir. 

Vi-o 40 dias antes e quinze dias antes cantou na Canção Nova minha canção que tanto o tocava: "Alô meu Deus". Fala do pássaro que volta ao ninho e não se acostumou nas terras onde andou.

Não pude ir às missas da sua entrega final na Canção Nova, nem em Itajubá-MG, porque enquanto o corpo ferido e adoecido do padre Léo era entregue ao Senhor, eu pregava parte do tríduo e da ordenação do Giovane, outro jovem pobre cheio de sonhos e esperanças como o Léo.

Conheci o Tarcísio Gonçalves Pereira, que viria a ser o Pe. Léo, num dia de janeiro, no Conventinho de Taubaté. Pe. Silvino Kuns o apresentou. Era um rapaz da RCC que desejava ser padre. Dizia que minhas canções e meus livros o ajudavam. Pe. Silvino morreu aos 45 anos como ele, consumido por uma febre que apanhou na África. Léo fez Filosofia e Teologia e ficou padre. Foi meu aluno de comunicação. 

Estudioso, ávido leitor, inteligência de acuidade acima da média, arguto debatedor, excelente orador, animador de comunidade, fundador de muitas Bethânias, casas de acolhida de jovens feridos no corpo e na alma pelas drogas, grande escritor, animador de rádio e televisão, Léo deixava marcas. Impossível não amá-lo. Era sincero. Dizia o que pensava. Dava-me nota 10 quando a aula lhe agradava e nota 7 quando achava que eu podia ter dado mais. Fiz o mesmo com ele. Nossa última conversa girou em torno deste assunto. Brinquei com ele, dizendo que o queria vivo para brigarmos de novo, mas também para o povo de Deus vê-lo pregando bonito como ele pregava. Segurei-lhe o rosto e vi que era um olhar adeus.

Na noite em que ele foi para Deus passei a noite ouvindo estratos de sua fala na Canção Nova. Dávamos um ao outro o direito de discordar. Segundo os amigos, éramos dois famosos teimosos. Movia-nos a fé no Reino e o desejo do certo. Mas ele foi embora mais depressa do que eu e acho que ele fez mais. Eu nunca fundei uma Bethânia: ele fundou muitas. Não havia como não amá-lo. Não há como não recordá-lo.

Escrevo estas linhas para lembrar a quem as ler, que um padre jovem de 45 anos mudou-se para o Céu nos primeiros dias deste janeiro. Escrevo esperando que nossa Igreja conheça muitos outros jovens padres como ele. Uns mil Léo Tarcísio Pereira inundariam este país de nova luz. Orei e oro por isso!

Padre Zezinho, scj
06/01/2007
Clique no link abaixo e veja o vídeo com o clipe de padre Léo cantando Alô, meu Deus!, a música de autoria de padre Zezinho, em sua última pregação na Canção Nova:
http://www.webtvcn.com/video/alo_deus


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Padre Zezinho - Amor Que Cobra Pedágio

Eu adoro o Padre Zezinho. Fico  feliz ainda mais em saber que o Padre Léo também amava o Padre Zezinho e suas músicas, tanto que muita gente pensa que a música Alô Meu Deus é do Padre Léo, quando na verdade é composição do Padre Zezinho. A pedidos de uma das tantas pessoas que comentam aqui no blog, vai este primeiro de muitos poemas do Padre Zezinho que disponibilizaremos aqui. Quem indicou os poemas do Padre Zezinho foi Pedro Brusco. Pedro, estou na busca dos poemas que você falou. Quando os encontrar publicarei aqui.





Amor que cobra pedágio

Rosela, que é um desses anjos de carne e osso que Deus fez e não repetiu a fórmula,
casada com Mariano, outro sujeito bom até a medula dos ossos,
chorava triste a morte do seu cachorro, quando resolvi lhe dizer alguma coisa.


Já pensou se não existisse gente como você que chora quando sua orquídea murcha?
Seu cachorro morre e seu gatinho quebra uma pata?

O amor cobra pedágio, Rosela!

Toda pessoa sensível vive as oito bem-aventuranças.
Ela é pura de coração, é pacífica, é perdoadora, quer justiça, sente a dor dos outros.
Nem que este outro seja apenas um cachorro.
Em compensação, porque faz tantos amigos e dá tanta importância às outras vidas
cada vez que acontece uma perda ela sente que também perdeu.
Porque ama mais e faz mais amigos, ela perde mais do que os outros.
Amar intensamente gera dores maiores do que as dores comuns.
Em compensação ninguém é mais feliz do que a pessoa que chora pelos outros.
Um dia ela aprende a chorar menos mas não a amar menos.

Ela riu e disse:
"Dói muito amar muito, mas eu não quero ser diferente.
O Mariano diz que casou comigo porque eu choro bonito e pelo que vale a pena".

O amor cobra pedágio.
Leva mais longe, mas de vez em quando ele cobra alguma dor.
Quem ama entende isso.
O amor não traz apenas o riso.
Não existe amor sem dor, mas é uma dor que gera mais amor.

Se você tem uma filha amorosa em sua casa, já sabe do que estou falando.
Tudo mexe com ela, mas ela também mexe com tudo.
Ter um coração bonito em casa faz uma enorme diferença.
Casar com uma mulher dessas é um paraíso; perguntem ao Mariano.
O que fazer se ele adora uma manteiga derretida?

Pe. Zezinho, scj
Do livro: Orar e pensar como família - Paulinas
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